quinta-feira, 26 de outubro de 2017

TODOS EM UMA SÓ VOZ


O mundo está abarrotado de pessoas reivindicando seus direitos. Reivindicações dos direitos das crianças, direito das mulheres, direito dos negros, direitos dos homoafetivos (nem sei mais como me referir, desculpe-me se cometo algo deslize) e tudo mais que possa ser classificável, não sei bem ao certo se como minoria.
Existe uma batalha intra-social, que quase chega a ser violenta, na disputa de qual dos direitos é o mais importante. Lembro de uma frase que sempre usei no trabalho, quando era necessário dar prioridade a algum projeto: “se tudo é prioritário, nada tem prioridade”. Quando igualamos todos os desejos, todos estarão na mesma seqüência de ação. Isso embola o meio de campo de nossa sociedade, perdemos tempo tentando atuar em tudo e nada sai bem feito. As energias são fragmentadas, os pedidos são diversos e é desperdiçado o poder de negociação forte.
No caso específico de nosso país, para tudo se cria uma lei. Lei da fila do banco, lei da fila do supermercado, lei do estacionamento prioritário, código de defesa do consumidor, estatuto da criança e do adolescente (ECA), lei Maria da Penha, lei para autorizar o casamento gay e um longa lista que nos torna ainda mais burocrático.







Tudo isso vem conectado com uma geleia chamada de politicamente correto que dá aos grupos da nossa sociedade uma bandeira para lutar por seus (os deles) direitos, mesmo que, por muitas vezes, estes sejam pequenos em relação a nossa população. Recomendo a leitura do livro - Guia Politicamente Incorreto da Filosofia. Mas até aí tudo bem. Contudo essa geleia tira a liberdade de expressão de muitos outros. Uma vez que críticas sobre questões distintas a esses aspectos, os clamores das “minorias”, podem ser confundidas, ou até induzidas a uma confusão, por protestos alegando a falta de decoro ao que é politicamente correto. Isso afasta a opinião pública sobre os aspectos verdadeiros, ao contrário do que querem os líderes (cabeças nem sempre pensantes) e liderados (medíocres) dessas minorias. Quando um gay se fantasia de cristo na parada gay, afasta os cristãos da defesa do movimento gay. Quando um evangélico destrói em nome de “Deus” um terreiro de Umbanda, ele afasta o seguidor (muitas vezes negro) da luta universal ao direito a religião. Quando uma mulher desrespeita um idoso, ela afasta os idosos da luta pelo direito das mulheres. Quando um idoso desrespeita o direito à opção sexual de uma pessoa, a comunidade LGBT deixa de se preocupar com o direito dos idosos. E isso se torna uma grande bola de neve. Nada contra aos direitos que reivindicam as minorias. Mas o clamor dos negros, mulheres, gays, crianças, nativos/aborígenes, caipiras, idosos, deficientes, loiras de  olhos verdes, homens brancos e todos os demais, é um só: RESPEITO.
A lei Maria da Penha pede respeito às mulheres,  o ECA pede respeito à criança e ao adolescente, a lei da fila prioritária pede respeito aos idosos, gays pedem uma lei para que sejam respeitados os direitos dos gays e tudo mais pede respeito. Todos esses grupos de pessoas pedem a mesma coisa, mas cada um dando um grito com pouca força em momento e local diferente, tornando tudo isso num balbúrdia e provoca uma irritação mútua.
Como disse, o que é necessário é uma união e um único pedido: RESPEITO. Um grupo único, feito por todos, por um único pedido. E como isso pode ser alcançado? Aí são outros quinhentos. Primeiro passo seria via educação formal, a escola (para um alcance de longo prazo) e um segundo, (de curto prazo) seria uma conscientização da sociedade organizada por políticas públicas mais estruturadas, com foco na sociedade como um todo, não em atendimento às reivindicações de pequenos grupos. A união desses movimentos via sociedade organizada, fazendo o mesmo pleito, seria muito mais eficiente. Uma campanha de conscientização social pelo respeito mútuo e pela harmonia seria muito mais eficiente. Por exemplo, a reforma do nosso código civil e penal, tornando-os claros e exequíveis, atuando de forma a exigir o respeito à todos, independente de suas individualidades.
E lembro que não é só isso, no Brasil, temos muitos outros pedidos em comum: educação primária de qualidade, segurança pública, redução da carga tributária, fim da corrupção e outra lista enorme. E tudo se resume ao RESPEITO ao ser humano.

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